O Simples Nacional sempre foi uma das principais escolhas tributárias das empresas do comércio. A simplificação da apuração de tributos e a redução da burocracia contribuíram para a adesão de milhões de negócios ao regime.
Entretanto, as mudanças relacionadas à Reforma Tributária e às novas regras previstas para 2026 fizeram surgir dúvidas importantes entre empresários, gestores e contadores. Muitos comerciantes já questionam se permanecer no regime continuará sendo a alternativa mais vantajosa nos próximos anos.
Além das alterações operacionais, a transição para o novo modelo tributário pode impactar formação de preços, aproveitamento de créditos, relacionamento com fornecedores e competitividade entre empresas optantes e não optantes.

Ao longo deste artigo, você entenderá como funciona o novo Simples Nacional 2026, quais mudanças já estão previstas, quais riscos merecem atenção e como o comércio pode se preparar para o novo cenário tributário com mais segurança.
O que muda no novo Simples Nacional 2026?
O novo Simples Nacional 2026 não extingue o regime, mas marca o início de uma fase de adaptação à Reforma Tributária. As empresas continuarão podendo optar pelo Simples, desde que atendam aos requisitos legais, porém passarão a conviver com novas regras relacionadas à CBS e ao IBS durante o período de transição.
Além disso, empresas do comércio precisarão avaliar impactos na cadeia de créditos tributários, no relacionamento com clientes e fornecedores e na eventual adoção de modelos específicos de recolhimento previstos pela nova legislação.
Essa análise deve fazer parte de uma rotina mais ampla de gestão fiscal. A Riente Consultoria atua com suporte contábil e consultivo para empresas que precisam revisar enquadramento tributário, processos fiscais e impactos da Reforma Tributária na operação.
Por que o Simples Nacional entra em uma nova fase?
A Reforma Tributária foi introduzida pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, que instituiu a CBS, o IBS e o Imposto Seletivo.
Esses novos tributos substituirão gradualmente:
- PIS;
- Cofins;
- ICMS;
- ISS.
As empresas do Simples Nacional permanecerão no regime, mas terão novas possibilidades de recolhimento, geração de créditos tributários e análise de competitividade dentro da cadeia econômica.
Isso faz com que a decisão pelo Simples deixe de ser apenas uma análise de faturamento e passe a considerar também margem de lucro, perfil dos clientes, tipo de operação, volume de compras e impacto dos créditos tributários.
Como o novo Simples Nacional pode impactar o comércio?
Empresas comerciais operam diretamente com compra e venda de mercadorias. Por isso, a geração e o aproveitamento de créditos tributários possuem grande relevância, especialmente em operações entre empresas.
Clientes do Lucro Real ou Lucro Presumido podem priorizar fornecedores que gerem créditos mais amplos de CBS e IBS. Dependendo do modelo adotado, empresas optantes pelo Simples poderão ser pressionadas a revisar preços, margens ou condições comerciais.
Assim, algumas empresas do comércio poderão enfrentar situações como:
- pressão por preços mais competitivos;
- redução de margem operacional;
- necessidade de revisar o regime tributário;
- mudanças na negociação com fornecedores;
- maior exigência de controle fiscal e contábil.
Empresas que vendem diretamente ao consumidor final tendem a sofrer impactos diferentes das empresas que atuam predominantemente no mercado B2B. Por isso, não existe uma resposta única para todos os negócios.
Como funciona o novo Simples Nacional na prática?
A adaptação do regime ocorrerá gradualmente e exigirá atenção técnica das empresas do comércio. O ponto central é entender como a Reforma Tributária altera a apuração, os documentos fiscais, os créditos e a competitividade da operação.
1. Permanência no Simples Nacional
As empresas continuarão enquadradas normalmente, respeitando limite de faturamento, atividades permitidas, anexos tributários e regras de exclusão do regime.
As consultas e serviços relacionados ao regime podem ser acompanhados no Portal do Simples Nacional, ambiente oficial utilizado para acesso a informações, orientações e sistemas do regime.
2. Início dos testes da CBS e IBS em 2026
A legislação prevê alíquotas reduzidas de teste para adaptação dos sistemas fiscais. Embora esse período tenha caráter inicial de transição, ele será relevante para validar cadastros, notas fiscais, ERPs e integrações contábeis.
As empresas precisarão atualizar:
- emissão de documentos fiscais;
- cadastros tributários de produtos;
- ERP e sistemas de gestão;
- integrações com a contabilidade;
- parametrizações fiscais internas.
3. Avaliação do modelo híbrido
Algumas operações poderão permitir recolhimento fora do regime unificado para determinados tributos, visando gerar créditos aos adquirentes. Essa possibilidade pode ser relevante para empresas do comércio que vendem para outras empresas.
A análise dependerá do perfil da empresa, do tipo de cliente, da margem de lucro, da representatividade das vendas B2B e do impacto dos créditos na negociação comercial.
4. Revisão periódica do enquadramento
O regime mais vantajoso poderá variar conforme:
- setor de atuação;
- perfil dos clientes;
- margem de lucro;
- volume de compras;
- aproveitamento de créditos;
- estrutura de custos e despesas.
Por isso, o planejamento tributário deixa de ser uma análise pontual e passa a ser uma prática recorrente de gestão.
Aspectos fiscais e tributários que merecem atenção
CBS e IBS
A Reforma Tributária criou uma nova lógica para a tributação sobre o consumo. Para empresas do comércio, isso exige avaliação sobre incidência, créditos, formação de preços e efeitos na cadeia de fornecimento.
A CBS será vinculada à tributação federal, enquanto o IBS substituirá tributos de competência estadual e municipal. Essa mudança exige atenção aos sistemas, à escrituração fiscal e à forma como os tributos serão demonstrados nos documentos fiscais.
Crédito tributário na cadeia comercial
Empresas do Lucro Real e do Lucro Presumido poderão considerar o potencial de créditos tributários dos fornecedores. Isso pode influenciar negociações comerciais, escolha de fornecedores e competitividade de preço.
No comércio, essa análise é especialmente sensível porque a margem costuma ser pressionada por custos de compra, estoque, logística, perdas, tributos e despesas operacionais.
Emissão de documentos fiscais
A Nota Fiscal eletrônica precisará incorporar novos campos relacionados à CBS e ao IBS. A adaptação dos sistemas será indispensável para evitar inconsistências fiscais, falhas de apuração e problemas no cruzamento de informações.
Obrigações acessórias
A transição tributária exigirá atualização cadastral, revisão de parametrizações, conferência de apurações e integração entre fiscal, contabilidade e gestão financeira.
A apuração mensal do Simples Nacional continuará exigindo atenção ao PGDAS-D e à DEFIS, especialmente em empresas com grande volume de notas, devoluções, substituição tributária e variações de receita por atividade.
Planejamento tributário
O regime escolhido em 2026 pode não ser o mais vantajoso em 2027 ou 2028. Por isso, o acompanhamento periódico torna-se parte da gestão tributária.
Empresas do comércio devem avaliar se o Simples Nacional continuará eficiente considerando carga tributária, créditos, margem, clientes, fornecedores e impactos da Reforma Tributária na formação de preços.
Tabela comparativa do Simples Nacional e dos impactos da reforma
| Aspecto | Simples atual | Novo cenário 2026 |
| Unificação tributária | Recolhimento pelo DAS | DAS com adaptação gradual à CBS e ao IBS |
| Créditos tributários | Tratamento limitado na cadeia | Maior relevância para negociações comerciais |
| Documentos fiscais | Modelo fiscal atual | Novos campos relacionados à Reforma Tributária |
| Planejamento tributário | Análise mais concentrada na alíquota efetiva | Revisões mais frequentes sobre margem, créditos e clientes |
| Relação com clientes B2B | Menor impacto sobre créditos do comprador | Pode influenciar preços, contratos e competitividade |
| Sistemas e ERP | Parametrização conforme regras atuais | Atualizações fiscais obrigatórias durante a transição |
Principais erros das empresas do comércio
1. Acreditar que nada mudará
O Simples continuará existindo, mas o ambiente tributário mudará. O risco está em manter processos fiscais antigos sem revisar sistemas, cadastros, apuração e formação de preços.
2. Ignorar o perfil dos clientes
Empresas B2B podem sofrer pressão relacionada aos créditos tributários. Para evitar perda de competitividade, é necessário analisar quem compra, como compra e qual impacto tributário existe na cadeia.
3. Não atualizar sistemas
ERPs desatualizados podem gerar erros fiscais em escala. A empresa deve revisar cadastros de produtos, regras de tributação, emissão de notas e integração contábil.
4. Escolher o regime apenas pela alíquota
A menor alíquota nem sempre representa menor custo tributário. Margem, créditos, folha, despesas, estoque e perfil de clientes também interferem na melhor escolha.
5. Não revisar preços
Mudanças tributárias podem alterar custos e margens. Sem revisão, a empresa pode vender com rentabilidade menor sem perceber.
6. Deixar a decisão para o último momento
A transição exigirá preparação. Empresas que iniciam a análise apenas perto do prazo tendem a tomar decisões com menos dados e maior risco fiscal.
Benefícios de se preparar para o novo Simples Nacional
Maior segurança tributária
A empresa reduz riscos fiscais, inconsistências e falhas na apuração dos tributos.
Melhor formação de preços
A gestão passa a compreender o impacto dos tributos na margem e consegue precificar com mais precisão.
Preservação da competitividade
Empresas preparadas conseguem negociar melhor com clientes e fornecedores, principalmente quando atuam em operações B2B.
Redução de custos
O planejamento permite identificar oportunidades tributárias, evitar pagamentos indevidos e reduzir perdas operacionais.
Melhor tomada de decisão
Gestores passam a utilizar informações tributárias como ferramenta para decisões comerciais, financeiras e estratégicas.
Adaptação mais tranquila à reforma
Processos estruturados reduzem impactos operacionais e diminuem retrabalhos durante a transição.
Perguntas frequentes sobre novo Simples Nacional 2026
1.O Simples Nacional vai acabar em 2026?
Não. O regime permanece vigente. O que ocorre é a adaptação às regras da Reforma Tributária e à nova estrutura da CBS e do IBS.
2.Empresas do comércio continuarão no Simples?
Sim. O enquadramento continua permitido para empresas que atendam aos requisitos legais do regime, incluindo limite de faturamento, atividade permitida e regularidade fiscal.
3.O comércio perderá benefícios tributários?
Não necessariamente. Os impactos variam conforme o perfil da empresa, tipo de cliente, margem, volume de compras e posição na cadeia comercial.
4.O que é o modelo híbrido?
É uma alternativa prevista na regulamentação que permite tratamento específico para CBS e IBS em determinadas operações, especialmente quando a geração de créditos ao adquirente se torna relevante.
5.Empresas do Simples gerarão créditos tributários?
A nova legislação prevê mecanismos relacionados à apropriação de créditos. Por isso, cada empresa deverá avaliar os efeitos práticos conforme seu tipo de operação.
6.Quando as empresas precisam se preparar?
A preparação deve começar em 2026, durante a fase de transição, atualização de sistemas e revisão do enquadramento tributário.
O que as empresas do comércio precisam fazer agora
O novo Simples Nacional 2026 não representa o fim do regime, mas inaugura uma nova forma de analisar a tributação das empresas do comércio.
A decisão sobre permanecer no Simples, migrar de regime ou adotar modelos específicos exigirá análise técnica, entendimento da cadeia comercial e avaliação dos impactos da Reforma Tributária.
Empresas que anteciparem estudos tributários, revisarem processos internos e atualizarem seus sistemas tendem a enfrentar a transição com mais segurança.
Mais do que uma mudança de alíquota, o novo cenário exige gestão tributária, planejamento e capacidade de adaptação.
Prepare sua empresa para a nova fase do Simples Nacional
A Riente Consultoria apoia empresas do comércio na análise de regimes tributários, revisão fiscal, planejamento tributário e adaptação às mudanças trazidas pela Reforma Tributária.
Se sua empresa precisa entender os impactos do novo Simples Nacional 2026, avaliar oportunidades de economia tributária e tomar decisões com mais segurança, fale com um especialista da Riente Consultoria.